Soares Branco

Mestre Escultor e Professor Jubilado da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa 









O que é o fenómeno da criação artística? O que é um artista plástico? Qual a definição de profissional ou amador? Quais os méritos e deméritos de cada um destes níveis de ocupação?

Quanto mais avanço nesta minha curta vida artística, curta de cinquenta anos, de menos interesse se revestem as respostas a estas perguntas, perante a realização artística que se torna autónoma do seu autor, vivendo de valores próprios, vivendo do que se consegue dentro de um determinado caminho, das conquistas estéticas, da mensagem subjacente, e também dos apuros e técnicas empregues.

O fenómeno é vasto mas, toma um cariz menos apreciativo, quando olhamos o executante em termos de profissional ou amador, em geral para exprimir termos de comparação entre obras de maior ou menor nível, com desprimor para o amador. Por outro lado, quantos ditos profissionais existem sem obra ou com obra sem interesse?!

Concluímos que é mais importante olhar, só olhar, desligados de conceitos elitistas ou relacionados com valores que, quanto a mim, já valeram mais, já foram mais defendidos. Olhemos pois, aceitemos os valores que o olhar nos transmite, sejamos ecos desse olhar, deixemos dentro de nós os ecos do que vemos, procuremos os contactos e as sintonias que nos identificam com o que vemos, pois aí estão os verdadeiros valores.

A Faculdade de Letras, que eu saiba, não faz escritores. Farão as escolas de Arte artistas? Transmitem técnicas, sem dúvida, mas não criam sensibilidades, estas nascem onde nascem e, ou se desenvolvem pela vontade de cada um e desabrocham, ou não.

As fronteiras da actividade humana são infinitas, tanto as que apontam para os espaços siderais, como as relacionadas com as novas tecnologias, mas não devemos esquecer as relacionadas com a mente humana, pois todas elas são igualmente infinitas e pouco exploradas ainda. Assim, qualquer obra de arte quando revela originalidade e talento é digna de nota e admiração e está neste caso a pintura de Hélio Cunha.

1986