Cruzeiro Seixas

Pintor, poeta, um dos fundadores do surrealismo em Portugal








O grande acto é o de acrescentar mistério ao mistério. Sem mistério morreríamos de sufocação. O que exijo vai para além da imaginação, é a memória multissecular, a memória cósmica. A verdade é que não se pode olhar uma destas telas sem reagir. É tão excessiva a força das imagens, que por vezes se aniquilam entre si. Esta forma de lucidez leva à desesperança e à revolta; caminhamos para a tensa linha do horizonte, sempre em fuga. Há que tomar em conta esta obra obsessiva, como há que tomar em conta a sua perfeita execução técnica. A soma destes elementos não pode deixar de ser notada, trazendo-nos à memória o espaço imenso da floresta surrealista. Há quem agarre nas imagens e faça poesia, e aí há sempre perguntas e há sempre respostas, por certo  mais perguntas do que respostas.
Por todas estas razões e desrazões, resta-me felicitar Hélio Cunha, na minha posição clara de não crítico nem ensaísta. Evidente se torna que é um erro ocultar esta já extensa e significativa obra; o tempo tem o vai-e-vem das marés, levando e trazendo, ocultando e redescobrindo obras que, pelo menos, são um comovente documento humano.


2010