Álvaro Lobato de Faria


Diretor coordenador do MAC
Movimento Arte Contemporânea















A arte de Hélio Cunha constitui um elo entre a pureza do traço e a beleza das formas. É algo não só peculiar, mas até mesmo magnífico, uma visão toda nova e toda sua a engrandecer e a enriquecer o nosso olhar e a maneira de percebermos, através desta postura, as coisas e o universo em que vivemos.

Na sua obra há o espaço que apenas com o olhar se vislumbra, mas há também e sobretudo, a sugestão das coisas que gostamos sem as vermos. Nada sobra, nem um só traço que não seja essencial. O silêncio das coisas é uma forma de absoluto anseio da totalidade perdida.
Estamos perante uma arte memorial, testemunho de um eu, de um questionamento interior. Sussurrar de segredos cuja leveza não é mais que o produto da força plástica e do uso sábio das cores, que apelam à experiência existencial do espectador e à emoção estética.

O seu desenho exato e nítido dá-nos paisagens desérticas, visões harmoniosas e cruéis pintadas com cores vibrantes, oferecendo-nos incontáveis e aliciantes leituras.
Hélio Cunha, lança como que uma escada entre os mundos do real e do irreal, palmilhando a estrada dos homens, onde caminhos perdidos, enfrentam uma beleza intraduzível.
Sem dúvida que a sua obra, emana um grande fascínio que nos faz sentir estar perante um exemplo de autenticidade muito rica e intemporal.

Por detrás das suas personagens, metamorfoses excêntricas que se associam de imediato a Hélio Cunha esconde-se um pintor curioso da Verdade e amante da Arte.
As suas obras são reveladoras de um mundo sabiamente exposto, implacável, imaginativo e impetuoso que nos convida à meditação.            
Obras de forte impacto visual, formas recorrentes a alimentar um desejo de comunicações construtivas/ destrutivas,  mas ultrapassada com sabedoria essa fronteira, transportam em si a enorme força que só é possível quando o que está em causa é a arte na verdadeira aceção da palavra e à qual Hélio Cunha tão bem se dedica. 

Estamos na presença de um artista sem hesitações, dotado de um impulso constante e ritmado, onde cada tomada de consciência nos abre o caminho para o seu mundo multidisciplinar, onde cada gesto tem o sabor de uma certeza, cujo procedente é despertar para novas formas de percecionar.  

A arte de Hélio Cunha, extraordinariamente sensível na fluidez da linguagem das formas, na vigorosa materialidade da cor, na força e no encanto da sua evasão e do seu êxtase, é uma fascinante e esplêndida aventura espiritual e técnica.

As suas obras, são pois materialização de anseios e de sonhos, notas de realce, na Pintura Portuguesa Contemporânea.

2015