Fernando Dacosta

Escritor

















A Alquimia de Hélio Cunha

Hélio Cunha percebeu que a fragrância da pintura e do desenho está na sua dimensão invisível (sugerida), na sua memória indefinida, no seu imaginário inlocalizável. Por isso ultrapassa, neles, o tempo e o espaço de uma maneira surpreendente, separando, para melhor unir, os vários planos que os compõem, decompõem.

Fantasia e melancolia, memória e distanciamento, subversão e perturbação, o autor tudo religa, transfigura, recria. As visões, as profecias, as entidades do seu universo são sendas a percorrer, a desocultar, numa iniciação invulgar. O resultado é, pela sua genuinidade e modernidade, irrecusável.

Viajar pelas suas obras é imergir num universo fabuloso de paisagens despojadas e doridas onde nos desamparamos sem referências.
Nelas, os elementos, as formas, as inquietações não têm fronteiras; tudo se mistura e dilata.


A alquimia que Hélio Cunha faz com os traços, as densidades, os planos, as perspectivas, os vultos, os vazios, os mistérios, cumplicia-se em nós universalizando-se – universalizando-nos.


2017